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Said

HOJE NA HISTÓRIA – 19/02/15

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Dia 19 de Fevereiro de 2015

Signo                      : Aquário

Estação                  :  Verão

Fase                        :  Nova

    – Dia do Esportista

    – Estado norte-americano proíbe da teoria da evolução  as escolas

    – Aniversário de morte do escritor André Gide em 1951

    – Aniversário de morte do músico Francisco Mignone em 1986

    – Aniversário de Alberto Dines e do futebolista Sócrates

    – Aniversário do Almirante (Henrique Foréis Domingues)

Santo do Dia:     São Conrado da Placência

por saidnotlim Postado em Abertura

Até tu Soros, abandonando o PT?

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José Pedriali

A petezada comemorou em dezembro o aumento das ações da Petrobras em poder de George Soros, interpretando-a como sinal de que a crise da estatal era coisa de girino tupiniquim, tucanalha maldoso, “pessimista” irredutível – todos juntos conspiradores contra o governo Dilma e inimigos dos pobres. Confira

Afinal, que outra explicação teria para o fato de o megainvestidor colocar seu precioso dinheirão nas ações da Petrobras senão a saúde financeira da empresa?

Informava o Estadão de 19 de dezembro:

Enquanto grandes fundos dos Estados Unidos reduziram nos últimos meses as apostas em papéis da Petrobrás, um grande investidor está indo na direção contrária, o bilionário George Soros. Desde o começo do ano ele vem aumentando as compras de ações da empresa brasileira e no último trimestre dobrou a quantidade de papéis em suas carteiras.

Soros fechou o terceiro trimestre com 5,1 milhões de ações e opções de compras da Petrobrás. No período anterior, ele tinha 2,4 milhões de papéis, também acima dos 2 milhões do primeiro trimestre, de acordo com dados enviados pela Soros Fund Management.

Pois é… a petezada não tem tido mesmo muita sorte ultimamente. Informa o Estadão de hoje:

A Soros Fund Management reduziu sua participação na Petrobrás em 60% para dois milhões de American Depositary Receipt (ADR, recibo que representa ações) no fim do quarto trimestre em comparação com o terceiro trimestre, de acordo com um documento apresentado na norte-americana Securities and Exchange Commission (SEC, que opera de maneira semelhante à CVM no Brasil).

Pois é…

 

HOJE NA HISTÓRIA – 18/02/15

Assine a tribuna

 

 

Dia 18 de Fevereiro de 2015

Signo                      : Aquário

Estação                  :  Verão

Fase                        :  Nova

    – Olimpíadas de Berlim são canceladas em 1995 

    – O Partido Comunista do Brasil é reorganizado em 1962

    – Aniversário de morte do compositor Nelson do Cavaquinho em 1986

    – Aniversário de Milos Forman 

    – Aniversário de Yoko Ono e Paco Rabanne

    – Aniversário de Ramakrisna

Santo do Dia:     Santa Bernardete Soubirous

por saidnotlim Postado em Abertura

Ameaça de cartel

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Fabio Campana

A maior ameaça que paira sobre as empreiteiras envolvidas no escândalo da Petrobras é a comprovação do cartel, pratica considerada crime com pena de 2 a 5 anos de prisão. No ano passado, a Cade aplicou a maior penalidade no Cartel do Cimento: R$ 3,1 bilhões (seis empresas, seis pessoas físicas e seis associações). Entre 2003 e 2010, outros cinco cartéis acumularam multas de R$ 7,1 bilhões. Em 2010, no setor de gases industriais, mais seis companhias foram multadas em R$ 2,9 bilhões (só a White Martins em R$ 2,2 bilhões). E também a AmBev já foi multada em R$ 352,6 milhões. Detalhe: as empresas ficam fora do mercado durante determinado tempo.

Fim da era do petróleo

Era do petróleo

José Goldemberg

O preço do barril de petróleo caiu mais de 50% nos últimos meses, passando de US$ 140 para cerca de US$ 50. O que se pergunta todos os dias é: como é possível que isso tenha ocorrido?

Essa, no entretanto, é a pergunta errada. A pergunta certa a fazer é: por que o preço do petróleo atingiu o valor absurdo de US$140 o barril, quando é notório que ele é produzido por muito menos?

A resposta é bem conhecida: em 1973 foi formado um cartel dos principais países exportadores de petróleo (Opep) – como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes, a Venezuela, a Líbia e outros – que fixou arbitrariamente o preço do produto em níveis extraordinariamente elevados. Foi esse preço que permitiu, por exemplo, a enorme concentração de riqueza nos Emirados Árabes e sustentou o desenvolvimento da Rússia e da Venezuela.

Durante mais de cem anos o preço do petróleo permaneceu praticamente constante, inferior a US$ 10 o barril desde que começou a ser produzido em grandes quantidades nos Estados Unidos. O enorme progresso dos países industrializados no século 20 se deve à existência de petróleo abundante e barato até 1973, quando seu preço começou a subir.

Nos últimos meses, porém, a queda do preço foi violenta. Se continuar no patamar de US$ 50, a economia da Rússia, do Irã e da Venezuela será profundamente afetada, já que esses países dependem de maneira dramática dos recursos obtidos com a exportação do petróleo.

A explicação usual para a queda dos preços é a de que os Estados Unidos reduziram suas importações de petróleo por causa do sucesso da produção interna de óleo e gás de xisto. Assim, com petróleo abundante no mundo, os preços caíram. Os países da Opep, liderados pela Arábia Saudita, poderiam ter reduzido a sua produção, o que faria o preço subir, mas decidiram não fazê-lo. Além de grandes reservas de petróleo, esse países têm também enormes reservas monetárias que lhes permitiriam suportar um preço mais baixo até quebrarem os seus concorrentes nos Estados Unidos.

Nessa guerra de preços manipulados, uma das vítimas poderá ser a exploração de petróleo a grandes profundidades (pré- sal no Brasil e em outros países), cujo custo de produção é muito mais elevado do que na Arábia Saudita, estimado em menos de US$ 20 por barril. As estimativas recentes de fontes da Petrobrás são de que o petróleo do pré-sal saia a um custo de aproximadamente US$ 50.

As alternativas para a produção de energia, como a eólica e a solar, que competem com derivados de petróleo a US$ 100 o barril para a produção de eletricidade, também poderiam sofrer.

Há, todavia, interpretações diferentes da crise, como a de que não seria apenas uma guerra comercial, que pode ser passageira, mas algo mais sério.

Um artigo recente na revista Foreign Affairs – de dezembro de 2014 – lança novas luzes sobre essa polêmica e não é nada otimista. A novidade, segundo ele, é que o que provocou a que da dos preços do petróleo não foi o aumento da produção dos Estados Unidos. A verdadeira causa é uma mudança estrutural na economia dos Estados Unidos e de países industrializados, cujo consumo caiu de 50,1 milhões de barris de petróleo por dia em 2005 para 45,5 milhões em 2013. Essa tendência começou antes da crise da economia de 2008 e muito antes do aumento da produção de gás e óleo de xisto nos Estados Unidos.

As mudanças estruturais têm duas componentes.

1) Pelo lado da produção, a eficiência na extração do petróleo, que está aumentando, de modo que pequenos produtores estão produzindo mais e os países importando menos. O aumento da produção de gás também leva à redução do uso de petróleo.

2) Pelo lado do consumo, automóveis mais eficientes e automóveis elétricos e híbridos reduzem o consumo de gasolina ou diesel. Além disso, a eficiência energética em geral leva à redução do consumo de energia de todos os tipos.

O fato de a China ter anunciado que as suas emissões de carbono (resultantes da queima de combustíveis fósseis) atingirão o máximo em 2030 – e declinarão daí para a frente – demonstra a importância crescente da eficiência energética e das energias renováveis no mais importante consumidor de energia no mundo em desenvolvimento. As mudanças estruturais que já ocorreram nos países industrializados estão se verificando igualmente em países em desenvolvimento, de modo que o consumo de petróleo nestes países não cresce muito.

Se essas tendências se confirmarem no longo prazo, quem vai quebrar não são os produtores de gás e óleo de xisto nos Estados Unidos, mas os próprios países exportadores de petróleo, como a Arábia Saudita.

Por sua própria natureza, as energias renováveis e a aplicação crescente de medidas de eficiência energética são descentralizadas – como é a produção de gás e óleo de xisto em pequenos poços – e não se prestam à formação de cartéis, que só funcionam quando são poucos os produtores. Por essas razões, a queda dos preços do petróleo – se for permanente – indica que os custos menores de energia abrirão caminho para um futuro energético mais diversificado, o que será salutar para todos.

Durante décadas cientistas se digladiaram com análises e teorias contraditórias: ou as reservas de petróleo se esgotariam rapidamente (em 20 ou 30 anos) ou durariam muito mais (de 50 a 100 anos). Paradoxalmente, a controvérsia parece estar se resolvendo de uma forma inesperada: não são as reservas de petróleo que se vão esgotar, mas o seu consumo é que vai cair, deixando muito petróleo no solo.

HOJE NA HISTÓRIA – 17/02/15

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Dia 17 de Fevereiro de 2015

Signo                      : Aquário

Estação                  :  Verão

Fase                        :  Nova

    –  Aniversário de morte do compositor e instrumentista Pixinguinha em 1973

    –  Um incêndio consome o edifício Andorinha no Rio em 1986

    –  Aniversário de morte do antropólogo e político Darcy Ribeiro em 1997

    –  Aniversário de Fernando Gabeira

Santo do Dia:     Sete Santos Fundadores dos Servitas

por saidnotlim Postado em Abertura

Dilma Shiva ataca novamente

Gustavo Ioschpe

Gustavo Ioschpe

Na teogonia hinduísta, as divindades supremas são Brahma, o deus criador. Vishnu, o preservador, e Shiva, o destruidor. Na teogonia petista, tudo indica que passaremos direto de Lula Brahma para Dilma Shiva. É incrível. Dilma construiu sua carreira como técnica na área de energia. Eleita presidente, demoliu o setor.

A política de limitação do preço dos combustíveis e da adição do etanol à gasolina quebrou o setor de cana-de-açúcar: 47 usinas fecharam as portas, setenta estão em recuperação judicial e outras não conseguem honrar suas dívidas. Depois veio a Eletrobras. Querendo controlar a inflação na marra,

Dilma Shiva baixou MP em 2012 forçando a empresa a celebrar contratos de fornecimento de energia por valores até 92,5% menores do que os praticados no mercado. A ação da Eletrobras foi de 26 para 6 reais. Para terminar, veio a implosão da joia da coroa, a Petrobras, que saiu das páginas de economia para as de polícia.

Quando Dilma Shiva se saiu com o “Pátria Educadora”, portanto, tremi: se na nova área preferida ela fizer o mesmo que na antiga, estaremos fritos.

Mesmo antes de começar o segundo mandato, Dilma Shiva mostrou que meu receio subestimara sua capacidade demolidora. Em 26 e 29 de dezembro do ano passado, no meio das férias, o ministro da Educação demissionário baixou duas portarias assustadoras. Uma limita o acesso ao Fies a alunos que tenham tirado mais de 450 pontos no Enem. A outra muda o repasse dos recursos do Fies para as universidades, passando de trinta para 45 dias. Parece uma tecnicalidade, mas é um assombro. Explico.

O Fies é um programa do governo que empresta dinheiro com prazos e juros camaradas (3,4% ao ano) para que alunos de baixa renda possam estudar em universidades privadas. Desde 2010, quase 2 milhões de universitários recorreram ao Fies. É condição para o recebimento do Fies que a universidade tenha desempenho razoável nas avaliações do MEC (conceito 3 no sistema chamado Sinaes, que vai de 1 a 5). O objetivo do Fies é expandir as matrículas no nosso ensino superior, abrindo as portas das universidades pagas às pessoas de baixa renda. Propósito nobre e necessário: nossa taxa bruta de matrículas no ensino superior está em 37%; nos países desenvolvidos é de 76%.

Um país sem universitários suficientes não tem chance de desenvolvimento no século XXI. Fazer essa expansão via financiamento subsidiado é uma mecânica já provada efetiva pela experiência internacional. O Fies é um sucesso e está atingindo seus objetivos.

Claro que para esse sucesso não basta um decreto. Foi necessário que as universidades investissem pesadamente, construindo campus, contratando professores e preparando a estrutura necessária para acomodar esses quase 2 milhões de alunos. Aí vem o governo e decreta que, apesar de as universidades terem despesas com esses alunos doze meses por ano, só receberão a verba referente a eles em oito meses do ano. Nos outros quatro, virem-se! Notem que há outra lei que impede universidades e escolas de expulsar o aluno inadimplente durante o semestre. O resultado é um violento aperto no caixa das universidades privadas, que confiaram no governo e se abriram ao Fies. Só nas quatro universidades de capital aberto, o faturamento com o Fies nos nove primeiros meses de 2014 foi superior a 2 bilhões de reais. Por isso, o anúncio das portarias fez seu valor de mercado derreter: a ação da Kroton caiu 24%, a da Estácio 31%, a da Ser 56% e a da Anima 47%. Essas perdas não são apenas dos “operadores de mercado”, que, imagino, não sejam alvo de muito apreço ou interesse do atual governo, mas também de mais de 15 000 investidores pessoa física que tomaram uma tungada em sua poupança pessoal. É esquizofrênico que a presidente dê uma guinada na área econômica para recuperar a confiabilidade do Brasil e, ao mesmo tempo, dê um “perdeu, playboy” a tantos investidores que acreditaram em seu programa.

Mas certamente os maiores afetados por essas medidas não serão os empresários ou investidores do setor: serão os alunos pobres. O aluno pobre brasileiro que termina o ensino médio é um herói. Sobrevive a uma escola pública de qualidade em geral sofrível e normalmente tem poucos exemplos familiares ou comunitários para perseguir o ensino superior. Essa pessoa precisa ser ajudada de todos os modos possíveis a entrar na universidade. Claro, poderíamos acomodá-la nas universidades públicas, se seu orçamento inchado fosse cortado e elas cobrassem mensalidade dos alunos ricos, para que pudessem se expandir. Isso não foi feito. Hoje, quem carrega 71% das nossas matrículas são as universidades privadas. É por elas que se dará a expansão de que precisamos. Por que, então, restringir o acesso a elas, especialmente de alunos pobres? Explica o ministro Cid Gomes: “Eu não defendo quantidade, defendo qualidade. Não vou botar gente em qualquer faculdade. Eu não vou contribuir para iludir um jovem que está entrando numa arapuca”.

O primeiro absurdo desse pensamento é achar que o escore de uma pessoa no Exame Nacional do Ensino Médio é de alguma forma representativo da qualidade do seu curso no… ensino superior! A não ser que tenham inventado a máquina do tempo, o resultado no Enem não tem rigorosamente nada a ver com a qualidade da universidade na qual o sujeito será financiado. Se é para cortar o financiamento de alguém em razão do resultado no Enem, deve ser o das escolas que formaram esse aluno na educação básica, ministro! O aluno que tira menos de 450 pontos no Enem é vítima de um péssimo sistema educacional. Como é que a vida dele será melhorada se for banido da universidade? Como é que isso pode ser bom para o país?

A segunda bobagem é presumir que quantidade e qualidade do ensino são coisas antagônicas. Pelo contrário, reforçam-se: os alunos saem da escola porque ela é ruim. O desafio do Brasil não é melhorar a qualidade ou aumentar a quantidade: é fazer ambos! E como se faz isso? Deve-se começar a melhora no 1º ano do ensino fundamenta], e não com demagogia no fim do ensino médio. Durante séculos o Brasil teve um ensino de qualidade falsa, porque excludente. Escolas e universidades públicas eram boas porque só aceitavam membros da elite. Precisamos ir para o século XXI, em que há ensino de qualidade para todos, e não voltar aos anos 40, com ensino de ponta para poucos. Não podemos cair nessa tentação. Precisamos abrir mais as portas, não fechá-las. Não se constrói um país de 200 milhões de pessoas com meia dúzia de doutores. A nota média nacional no Enem é 500 pontos. Se presumirmos que a distribuição das notas é normal (gaussiana) e que os alunos com as melhores notas têm renda alta demais para depender do Fies, é provável que perto da metade — repito, metade — de todos os alunos que poderiam se beneficiar do Fies se torne inelegível por causa da regra que impõe a nota mínima de 450 pontos.

O terceiro erro é achar que o jovem é ludibriado e que a universidade é uma arapuca. O sujeito que passa num vestibular “facinho” e paga 600 reais de mensalidade achou que estava entrando em Harvard. então? Pelo amor de Deus… O Brasil tem um dos melhores sistemas de avaliação educacional do mundo. Qualquer um pode descobrir na internet a qualidade de sua universidade. Se não consegue frequentar uma escola de ponta é porque não tem condições acadêmicas ou financeiras para tanto. A pessoa quer ascender na carreira e está disposta a pegar dinheiro emprestado para isso: é um bravo, merece aplausos, não condescendência nem calotes.

HOJE NA HISTÓRIA – 16/02/15

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Dia 16 de Fevereiro de 2015

Signo                      : Aquário

Estação                  :  Verão

Fase                        :  Minguante

    –  Dia do Repórter

    –  Governador Jânio Quadros proibiu o Rock and Roll nos bailes

    –  Faleceu o presidente da república e prefeito de São Paulo, Jânio Quadros

    –  Aniversário de Oscar Schmidt

Santo do Dia:     Santo Onésimo

por saidnotlim Postado em Abertura

Dilma e o retrocesso dos direitos trabalhistas

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Luiz Carlos Motta

Anunciadas no final do ano passado, as medidas provisórias nº 664 e nº 665 dificultam o acesso à concessão de benefícios trabalhistas fundamentais para a segurança financeira do trabalhador e de seus dependentes. São afetados pelas medidas direitos como abono salarial, seguro-desemprego, pensão por morte e auxílio-doença.

Se forem aprovadas pelo Congresso, as novas regras terão um impacto maior exatamente nas classes que mais necessitam desse amparo. A mudança no seguro-desemprego, que torna obrigatórios 18 meses de trabalho anteriores à sua primeira solicitação, por exemplo, pode ser um golpe na estabilidade econômica dos trabalhadores que estão começando suas carreiras.

Podemos utilizar como exemplo a categoria comerciária, que é predominantemente composta por jovens –cerca de 28% dos comerciários têm de 18 a 24 anos e 19% estão entre 25 e 29 anos.

Os jovens do comércio, de maneira geral, estão em seu primeiro emprego, buscando estabilidade e independência financeira, seja para arcarem com estudos e especializações ou mesmo para ajudar no sustento das famílias.Em uma realidade econômica como a nossa, com alta inflação e um risco de desemprego elevado, esses trabalhadores são os mais afetados pela mudança no benefício.

Estudo do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), constatou que, em 2013, um total de 47,2% dos desligamentos se deram ou ocorreram por motivo qualificado como “sem justa causa” por iniciativa do empregador. A Relação Anual de Informações Sociais de 2012, por sua vez, identificou uma taxa de rotatividade de emprego global no país da ordem de 64%.

Além do seguro-desemprego, outro exemplo do efeito devastador dessas mudanças para a segurança financeira dos trabalhadores é a pensão por morte, que afeta diretamente as suas famílias. Antes fixado em 100% do salário do contribuinte, o novo cálculo tem como base apenas 50% desse valor, com adicionais de 10% para cada dependente, além de estipular um período de “carência” para que o contribuinte e seus familiares tenham direito ao auxílio.

O retrocesso significa menos segurança financeira para os dependentes do trabalhador, inclusive no caso de uma fatalidade.Perante as reações negativas da população e entidades de classe, ministros chegaram a se justificar argumentando que as mudanças são benéficas aos trabalhadores por corrigirem distorções e regalias, o que não é verdade.

Tentando resolver problemas de ordem econômica, o governo apela para direitos trabalhistas em vez de realizar mudanças estruturais que deveriam vir antes dessas medidas, que são manobras econômicas que colocam em xeque a população mais necessitada. Questões como os sistemas de ingresso no mercado de trabalho, desenvolvimento e qualificação profissionais e até melhores regulações do mercado de trabalho são apenas alguns dos exemplos possíveis de mudanças positivas para o Brasil que deveriam estar em pauta, muito mais importantes do que as medidas que ceifam os direitos do trabalhador e contribuem com o sentimento de instabilidade financeira.

O governo brasileiro está cercado de diversos problemas econômicos que devem ser enfrentados urgentemente, mas não é mexendo dessa forma em direitos trabalhistas que esses problemas serão resolvidos. Antes, cabe ao Estado amparar o trabalhador em momentos de crise, garantindo a estabilidade financeira que é seu direito.

Luiz Carlos Motta, 55, é presidente da Fecomerciários (Federação dos Empregados no Comércio do Estado de São Paulo) e da UGT-SP (União Geral dos Trabalhadores de São Paulo)