HOJE NA HISTÓRIA – 31/08/2015

 

Signo                      : Virgem

Estação                   : Inverno

Fase                        : Cheia

    – Dia do Nutricionista

    – Marco de nascimento do Jornalismo Literário

    – Aniversário de morte da Lady Diana em 1997

    – Aniversário de Maria Flor

    – Dia Nacional do Outdoor

 

Santo do Dia      : São Raimundo Nonato

O que “selfies” revelam sobre o mundo atual

Selfie

EMILIO LEZAMA
tradução FRANCESCA ANGIOLILLO

 

Mais que mera versão atualizada do consagrado gênero do autorretrato, os “selfies” se impõem como signo da revolução digital. Ironicamente, em um mundo marcado pela alta tecnologia, o homem contemporâneo tem como “gadget” favorito um tosco bastão, cujo benefício último é dispensar a interação com estranhos.

"Autorretrato em Espelho Convexo" (1524), de Girolamo Francesco Maria Mazzola, mais conhecido como Parmigianino
“Autorretrato em Espelho Convexo” (1524), de Girolamo Francesco Maria Mazzola, mais conhecido como Parmigianino

Mesmo os pouco observadores devem ter notado um novo aparelho na temporada de férias. Tecnologia de ponta? Só no sentido mais estritamente literal.

Neste ano, o “pau de selfie”, monopé que permite tirar autorretratos, conquistou o mercado dos viajantes. Não deixará de surpreender que em pleno 2015 o homem tenha redescoberto a utilidade tecnológica de um bastão.

Na pré-história, o homem vagou pelos bosques apoiando-se nele; milhares de anos depois, a moda volta, de forma distorcida: o instrumento que servia para conectar o homem com o que estava sob seus pés –a terra– e o apoiava, literalmente, para abrir passo pelo mundo se converteu em uma ligação com o mundo superior. Se eu não me vejo, como sei que existo? Esse novo cajado nos permite uma perspectiva aérea da existência.

O filósofo alemão Peter Sloterdijk explica que aquilo que nós entendemos por tecnologia é uma tentativa de substituir os sistemas imunológicos implícitos por sistemas imunológicos explícitos.

Em nossa época, os sistemas de defesa que criamos procuram nos isolar de um exterior que se nega a ceder à tendência individualista da sociedade. Por isso andamos de um lugar a outro sem renunciar nunca a nosso mundo: nos transformamos em uma sociedade de caranguejos-eremitas, carregando no lombo nossas casas. Sentados entre centenas de passageiros, nos protegemos, com nossos fones de ouvidos, celulares e vídeos, do encontro com o exterior. Agora, o “pau de selfie” nos permite tirar fotos sem a incômoda necessidade de interagir com estranhos. Nos transformamos em seres autossuficientes e, em decorrência disso, necessariamente antissociais.

A máxima ironia do mundo globalizado é a crescente insularidade do indivíduo. Como o exterior é impessoal, nos embrenhamos no interior; como a comunidade nos debilita, a individualidade se torna preponderante; é assim que a casa familiar dá lugar ao apartamento individual –e a autogamia moderna surge. O grande balão da globalização explodiu em milhares de bolhas comprimidas, que voam juntas, sem, no entanto, se roçarem.

O fenômeno do “selfie” responde a essa condição insular e por isso se arraigou como a manifestação estética da revolução digital. O isolamento do indivíduo é tal que, liberto do voyeurismo, teve de conceber um autovoyeurismo: nos tornamos paparazzi de nós mesmos. O “selfie” procura esconder nossa natureza isolada e solitária sob o verniz da felicidade e do gozo.

ORIGENS

As origens mais remotas do fenômeno, contudo, expõem sua natureza. Em 1524, o pintor italiano Parmigianino (1503-40) se autorretratou com o auxílio de um espelho convexo.

O efeito é alucinante: mais que um autorretrato, a pintura de Parmigianino é uma indagação a um mundo interior atormentado. O olhar do autor é sereno, mas incômodo, mais adequado ao mundo das “hashtags” que ao da pintura renascentista.

Séculos depois, em outubro de 1914, aos verdes 13 anos de idade, a princesa Anastácia da Rússia subiu em uma cadeira em frente a um espelho e fotografou seu reflexo. O resultado causa calafrios: a princesa lembra um fantasma. Ambas as imagens ressaltam a condição solitária do “selfie”.

A discussão sobre o significado desse fenômeno tem muitas vertentes. O “selfie” já foi explicado como uma ferramenta de “empoderamento”, como vão narcisismo ou como um desesperado grito de ajuda lançado ao vazio da aldeia digital. Outros sugeriram que se trate das três coisas ao mesmo tempo. Um pedido de atenção em um mundo onde a atenção equivale ao poder.

O “selfie”, no entanto, tem também um sentido de autoconstrução. Permite ao indivíduo moldar a narrativa de sua vida e, assim, nos transformou em promotores de nossa própria marca. Não se trata simplesmente de que o indivíduo queira ostentar a “perfeição” de sua vida, mas de ele mesmo querer acreditar em sua invenção. O “selfie” permite adequar a realidade a suas próprias expectativas.

Em um mundo altamente tecnológico, o “pau de selfie” se destaca pelo aspecto tosco. Os que esperavam carros voadores e lentes multifuncionais se viram decepcionados pela realidade: o invento mais popular do ano é um bastão.

Atrás dessa aparente simplicidade, porém, se esconde uma revelação profunda sobre o mundo contemporâneo. Como o velho cajado que amparou nossos antepassados, o “pau de selfie” nos oferece segurança diante de um mundo perigoso. Não é só a nossa proteção no isolamento mas uma resposta a essa angústia do ser humano contemporâneo –a de constatar sua própria existência.

 

EMILIO LEZAMA, 28, é escritor, diretor da revista “Los Hijos de la Malinche” (loshijosdelamalinche.com) e colabora com textos sobre comunicação global e política em jornais dos EUA, México, Espanha, França e Brasil.

FRANCESCA ANGIOLILLO, 43, é editora-adjunta da “Ilustríssima”.

HOJE NA HISTÓRIA – 30/08/2015

Signo                      : Virgem

Estação                   : Inverno

Fase                        : Cheia

    – Dia do Vendedor Lojista

    – Silvio Santos fica refém de sequestrador em 2001

Santo do Dia      : São Félix e São Adauto

Após decepções, testes com célula-tronco evoluem

Célula-tronco

Da Folha

As células-tronco, estrelas da pesquisa biomédica nos últimos 20 anos, ainda não se transformaram em terapias de eficácia comprovada para nenhuma doença.

Os pesquisadores que trabalham com elas reconhecem que, do ponto de vista dos pacientes, os resultados parecem decepcionantes, mas apostam que esse cenário pode mudar em breve.

“A empolgação exagerada foi consequência do desconhecimento”, argumenta Stevens Kastrup Rehen, do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). “Mas, quando comparamos a situação das células-tronco com os dados históricos de qualquer novo remédio, não estamos mal na fita.”

As esperanças desmedidas e a polêmica em torno do tema começaram em 1998, quando cientistas americanos conseguiram isolar e multiplicar em laboratório pela primeira vez as chamadas CTEHs (células-tronco embrionárias humanas).

Tais células, obtidas a partir de embriões com poucos dias de vida, são capazes de dar origem a qualquer componente do organismo adulto, dos neurônios do cérebro aos músculos do coração.

Era natural, com base nesse conhecimento, pensar em aplicações médicas. Bastaria “ensinar” as CTEHs a se transformarem em um tipo específico de célula para reconstruir as regiões cerebrais devastadas pelo mal de Parkinson ou refazer um osso destruído por fratura, entre outras possíveis utilidades.

Havia, no entanto, ao menos dois grandes desafios. Um, de natureza ética, tem a ver com o fato de que não é possível obter as CTEHs sem destruir embriões humanos, motivo pelo qual a tecnologia ainda sofre forte oposição da Igreja Católica e de outros grupos religiosos.

O segundo desafio está ligado à dificuldade de controlar a transformação das CTEHs em outros tipos de células e fazer com que reconstruam partes do organismo afetadas por doenças.

Por outro lado, como todas as células do corpo possuem, em tese, o mesmo material genético, fazia sentido imaginar que, ao menos potencialmente, muitas delas pudessem dar origem a quase todos os tecidos do organismo, dispensando a necessidade de manipular embriões.

Tal ideia começou a ser testada com o estudo das células-tronco adultas, encontradas em locais como medula óssea ou cordão umbilical.

Ao mesmo tempo, cientistas como o japonês Shinya Yamanaka descobriram meios de transformar qualquer célula adulta em algo muito parecido com uma CTEH. São as chamadas células iPS, ou pluripotentes induzidas (“pluripotência” é o termo usado para designar a versatilidade quase ilimitada dessas células). Yamanaka foi premiado com o Nobel por seus achados.

HORA DOS TESTES

Só nos últimos anos é que as CTEHs e as células iPS finalmente passaram a ser testadas em pacientes humanos. Esses testes clínicos, como são chamados, normalmente começam com avaliações sobre a segurança de uma técnica (para verificar se ela não causa efeitos colaterais sérios, por exemplo), e só depois tentam determinar sua eficácia. Por enquanto, só houve testes de segurança com elas, a maioria ainda não concluídos. No caso das células-tronco adultas, há testes de eficácia acontecendo.

“Estamos progredindo no cenário clínico, portanto”, diz o médico Antonio Carlos Campos de Carvalho, da UFRJ. “Se vai dar certo, ainda não sabemos, porque há várias dificuldades a serem superadas, como a questão da permanência das células no órgão afetado.”

“Depois da frustração com a terapia genética [que modifica diretamente o DNA dos doentes], acho que os cientistas estão mais pé no chão”, afirma Alysson Muotri, pesquisador brasileiro que trabalha na Universidade da Califórnia em San Diego. “A demora para a chegada da técnica à aplicação clínica, para mim, reflete uma maturidade dessa área. Estamos muito mais cuidadosos.”

Como exemplos animadores dos testes que estão acontecendo agora, Muotri cita os resultados do uso de CTEHs para tratar doenças oculares, que parecem indicar a possibilidade de recuperar a visão de pacientes que não enxergavam mais. Para ele, a própria rapidez com que as células iPS estão chegando aos testes clínicos é motivo de comemoração: elas foram descritas inicialmente em 2007, e pacientes com mal de Parkinson dos EUA e do Japão já estão sendo recrutados para recebê-las.

Um motor importante para esses avanços provavelmente é o envolvimento da iniciativa privada nos países desenvolvidos, lembra Rosalia Mendez Otero, da UFRJ. “O Japão criou um processo paralelo de avaliação de estudos clínicos só para células-tronco, o que deve agilizar a tradução de conhecimento das bancadas de laboratório para o leito dos pacientes”, diz ela.

Ambos esses pontos acabam deixando os estudos no Brasil em desvantagem, já que aqui não é possível comercializar células. “Nosso sistema de aprovação de estudos clínicos é absolutamente atrasado”, lamenta ela.

HOJE NA HISTÓRIA – 29/08/2015

Signo                      : Virgem

Estação                   : Inverno

Fase                        : Cheia

    – Dá-se início em 2001 à maior Lan Party realizada em Portugal, a Minho Campus Party

    – Aniversário de Luana Piovani 

Santo do Dia      : São João Batista

Além do toque, homens têm de fazer exame PSA anualmente

MédicoIsoladamente, o exame de toque realizado na investigação de câncer de próstata não oferece altas taxas de confiabilidade. Quando associado ao exame PSA (antígeno prostático específico), a dupla oferece 92% de acerto no diagnóstico.
Por isso é tão importante conhecer em detalhes esse exame laboratorial. Quanto maior o nível de PSA no sangue, maior também é a chance de o paciente ter câncer de próstata sendo que taxas inferiores a 2,5ng/ml são consideradas normais.

De acordo com o médico radiologista Leonardo Piber, do Centro de Diagnósticos Brasil (CDB), é fundamental que homens entre 50 e 75 anos se submetam a esse simples exame de sangue todos os anos.

Quando a análise do sangue detecta alteração importante, normalmente o paciente é encaminhado a novos exames de imagem para diagnosticar precocemente o câncer de próstata, já que a doença oferece boas chances de cura quando tratada logo no início, diz o médico. O PSA é uma proteína encontrada em grandes quantidades no sêmen e em pequena quantidade no sangue, mas é o suficiente para indicar quando há risco.

Pode acontecer de o nível de PSA estar alto por conta de alguma inflamação ou infecção na
glândula prostática. Daí a importância de o médico fazer o toque retal e encaminhar o paciente para exames de imagem, considerando idade, histórico familiar, medicamentos de uso contínuo e até mesmo determinados suplementos que afetam o tamanho da próstata.

Na opinião do médico, conhecer os fatores de risco para o câncer de próstata que é o segundo mais comum entre brasileiros, com quase 70 mil novos casos por ano contribui muito para evitar negligência ou alarmismo. A maioria dos casos acontece por volta dos 65 anos, mas a investigação diagnóstica deve acontecer entre 50 e 75 anos.

Quando há parentes diretos que já enfrentaram a doença, o recomendado é iniciar os exames anuais a partir dos 40 anos. Trata-se de um tipo de câncer que mata mais de 13 mil pessoas todos os anos e é particularmente agressivo para homens com uma dieta rica em
gorduras ou que são de fato obesos.

Quando tanto o toque retal quanto o nível de PSA apontam para o câncer de próstata, Leonardo Piber diz que outros exames costumam contribuir para chegar a um diagnóstico preciso, como o ultrassom transretal e a biópsia. A ressonância magnética também costuma ser empregada para sabermos a localização exata do tumor, bem como se ele se espalhou pela próstata.

Independentemente dos exames que serão realizados, o médico chama atenção para o fato de que inicialmente a doença costuma ser assintomática, ou seja, não apresenta sintomas relevantes. Mesmo assim, o paciente pode começar a sentir dificuldade ou dor ao urinar, urgência em urinar (principalmente à noite), urinar em pouca quantidade e mais vezes, verificar sangue na urina, e sentir dor persistente nas costas ou nos quadris.

Quando o câncer de próstata atinge outros órgãos, o paciente também pode ter dor nos ossos, fraqueza generalizada, perda de peso sem motivo aparente, anemia e falência renal. Por se tratar de uma doença que pode ser diagnosticado e tratado com sucesso logo no início, é importante que os homens levem a sério os exames preventivos, principalmente essa dobradinha entre toque retal e exame de PSA assim que atingem a meia-idade, adverte o
médico radiologista

Dormir de lado evita o Mal de Alzheimer

Dormir de lado

Segundo cientistas dos EUA, a posição não obstruí o canal responsável por limpar as impurezas do cérebro

O jeito que uma pessoa dorme, indicam pesquisadores da Universidade Stony Brook, nos Estados Unidos, pode exercer efeito significativo sobre a saúde neurológica dela. Se for de lado, alivia o acúmulo de resíduos do cérebro que contribuem para doenças como Alzheimer e Parkinson. Isso acontece porque a posição, naturalmente preferida pela maioria dos animais, libera as vias responsáveis pela limpeza do lixo metabólico.

A via glinfática é uma área do cérebro responsável pela remoção de resíduos e excesso de líquido formados especialmente durante a vigília. A região foi descoberta há pouco tempo e detalhada, pela primeira vez, em agosto de 2012 na revista especializada Science Translational Medicine.

Basicamente, funciona como uma espécie de via linfática exclusiva do cérebro, sendo útil na remoção de produtos residuais, como as beta-amiloides e a proteína tau. Ambas são excessivas em indivíduos com Alzheimer, o que faz com que se acredite que sejam, na verdade, as responsáveis pelo desenvolvimento da doença.

O sistema glinfático foi estudado detalhadamente, pela primeira vez, por pesquisadores da Universidade de Rochester, também dos Estados Unidos, em modelos animais. Quando funciona de forma normal e eficiente, a limpeza contínua promovida por ele assegura que substâncias tóxicas em excesso não se acumulem no cérebro.

As beta-amiloides, por exemplo, podem se juntar e formar placas resistentes. Além de serem dificilmente removidas, elas enfraquecem as sinapses, a comunicação entre os neurônios, provocando demência.

Com exames de ressonância magnética, a equipe liderada pela professora Helene Benveniste observou de perto o caminho do fluido cerebrospinal — substâncias que funcionam como produtos de limpeza — em ratos anestesiados para dormir em três posições: lateral, de bruços e de costas. Pelas imagens, descobriram que dormir de lado é a forma que faz com que a via funcione melhor.

“Os roedores que estavam em posição lateral tiveram limpeza de beta-amiloide 25% melhor do que as que estavam dormindo de costas ou de bruços. Provavelmente, a razão pela qual as outras posições não são ideais é porque o fluido de limpeza não consegue chegar ao cérebro, desaguando em outros lugares, como a medula espinhal”, explica a responsável pelo estudo, publicado recentemente no The Journal of Neuroscience.
(com informações do site Saúde Plena)

De: O bonde

Para Nietzsche, romper laços é tão difícil que muitas vezes é necessário ser cruel

Nietzsche

Para a maioria das pessoas, o desenvolvimento pessoal não ocorre de maneira agradável. O percurso até o amadurecimento geralmente envolve diversos percalços, inseguranças e situações desencorajadoras. Para Nietzsche, essa dificuldade ocorre porque libertação envolve separação. É tão difícil deixar coisas queridas para trás que muitas vezes é necessário voltar-se contra elas por um tempo.
“Mas não o fazem por odiá-los, e sim por amá-los; e para conquistar a liberdade – para se tornar independentes – eles precisam romper amarras. Para uma pessoa amorosa, romper esses laços é tão difícil que por um período ela precisa tornar-se quase violenta e cruel”, escreve o filósofo John Armstrong em“Lições de Vida: Nietzsche”.Isso é algo que acontece com frequência no ambiente familiar. Muitas vezes, os filhos podem passar por um período em que rejeitam os pais e tudo aquilo que lhes parece valioso.

O livro utiliza as ideias de um dos maiores pensadores da história da humanidade para explicar dilemas do cotidiano. Nietzsche ensina que, se nos concentrarmos em aprender com o presente, teremos condições de entender o porquê da nossa existência. O filósofo levou esse pensamento tão a sério que decidiu refletir sobre sua própria experiência de desenvolvimento e escrevê-la como uma espécie de fábula.

Em “Humano, Demasiado Humano”, de 1878, Nietzsche escreve sobre a necessidade de liberdade. Ele explica que, em pessoas fortemente vinculadas, a separação chega de repente, comparando-a a um choque ou terremoto que devasta a alma.

“[A pessoa] é dominada por uma compulsão, uma pressão que se impõe à alma como uma ordem: é o despertar da vontade e do desejo de ir embora, não importa para onde, a qualquer custo: uma violenta e perigosa curiosidade por um mundo desconhecido arde e cintila em todos os seus sentidos”.

Nietzsche explica que, ao tentar provar seu domínio sobre as coisas, a pessoa vaga entregue a um desejo insatisfeito e “se rasteja em curiosidade e sedução ao redor do que é mais proibido”, sempre se questionando se todos os valores podem ser destruídos. Mas isso passa – mesmo que seja anos depois.

“O espírito livre aproxima-se novamente da vida, lentamente, é claro, quase recalcitrante, quase desconfiado. Ao seu redor está de novo mais quente, mais amarelo, por assim dizer; sentimentos e empatia se aprofundam; leves brisas de toda sorte passam por cima dele. Quase lhe parece que seus olhos só agora se abrem para o que está perto. Perplexo, ele se mantém imóvel: Onde estivera, então?”.

O filósofo conclui que o período de libertação é necessário para que a pessoa consiga se tornar senhora de si – e também senhora de suas próprias virtudes.

“Você precisava conquistar poder sobre seus Prós e Contras, e aprender a exibi-los ou guardá-los, em função de seus propósitos mais elevados […] Agora o espírito livre sabe a quais ‘você precisa’ obedecer, e também o que agora pode fazer, o que só agora é autorizado a fazer”.